Resenhando "A alegoria da caverna"

A alegoria da caverna é o sétimo livro que compõe a obra "A república", de Platão, nela o autor relata um diálogo filosófico entre Sócrates e Glauco. No início dessa conversa, Sócrates usa uma analogia para que Glauco imagine prisioneiros acorrentados numa caverna onde só conseguiriam enxergar as sombras dos objetos projetadas na parede por uma fogueira na entrada da caverna.

Em seguida, o filósofo estimula à reflexão sobre o que aconteceria caso um dos prisioneiros conseguisse escapar de lá experimentando algo totalmente diferente do que havia tido sua vida inteira. Como suas convicções seriam confrontadas? Como a sua compreensão do mundo seria transformada? E, se este eventualmente retornasse à caverna, como seria recepcionado pelos outros prisioneiros diante de sua nova percepção da realidade?

O livro apresenta algumas metáforas que pode ser trazidas para o nosso cotidiano como forma de facilitar a compreensão dos ensinamentos do filósofo:

  • qualquer um de nós pode ser um dos prisioneiros; qualquer um que esteja de alguma maneira preso pela ignorância acaba fixado em alguma realidade que lhe é apresentada de forma distorcida e mal-entendida; e pela falta de conhecimento abrangente, acaba tomando esta falsa realidade como verdade absoluta;
  • a caverna poderia ser interpretada como o ambiente que nos encontramos, seja físico ou abstrato, num nível de conhecimentos e experiências extremamente limitados;
  • as sombras e os eventuais ecos citados no livro seriam as nossas percepções do justo, da verdade e da realidade baseadas equivocadamente a partir do desconhecimento sobre os assuntos e as realidades, mas que nos é apresentada no ambiente que nos encontramos;
  • a saída da caverna seria o momento de "libertação", da abertura ao novo, a expansão da mente e do corpo para novas percepções, novos conhecimentos e experiências da realidade;
  • a luz solar seria o momento da "iluminação" em que nossas convicções são confrontadas com toda a nova informação que nos é apresentada. Num primeiro momento, seria tudo muito confuso; todo aquele "brilho" ofuscaria nossos olhos acostumados com a "escuridão" do conhecimento e perturbaria nosso raciocínio adaptado à visão aprisionada e deturpada da realidade apresentada pela luz limitada e limitante da fogueira.
Nos dias atuais, podemos encontrar vestígios da alegoria da caverna com a crescente onda de desinformação das pessoas gerada por informações rasas e notícias falsas; causando uma grande legião de pessoas propagando verdades diante de realidades distorcidas, conhecimentos deturpados e corpos, mentes e olhos "aprisionados".

Também é possível constatar a hostilidade dessas pessoas "presas" com aqueles que ousem trazer uma verdade diferente da que estão acostumadas e enraizadas. O que se assemelha com a recepção dos prisioneiros com o liberto após ele retornar à caverna e ser zombado, criticado e perseguido ao expor suas novas percepções, como supõe Sócrates a Glauco.

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