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Mostrando postagens de Fevereiro, 2019

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O catador de livros

Ele era só mais um entre tantos numa capital urbana. As vidas transpassando entre passos e descompassos; prazos e atrasos; em meio a percalços e descalços; tratos, maltratos e maus-tratos.

E lá estava ele.

Sucumbindo à dureza da cidade que ergue edifícios que arranham os céus e rebaixa pessoas arrastando-as ao chão. Não era culpa desta cidade, ora pois! Todas têm suas riquezas e pobrezas; suas alegrias e tristezas; suas tolices e suas destrezas; suas bondades e suas maldades; suas mentiras e suas verdades.

Mas nesta, lá estava ele!

Com a roupa do corpo e uma sacola na mão caminhava mesmo sem chão. Não tinha teto, mas a esperança era o seu abrigo. Não tinha rumo e o horizonte era o seu destino. Não tinha pressa, mas o tempo era seu inimigo.

A noite caía, a gente se recolhia, o silêncio ensurdecia.

E lá estava ele.

O sol nascia, a gente surgia, o silêncio findaria.

E lá estava ele.

Todo dia era a novidade que se repetia, a mesmice que persistia, o propósito que se esvaía.

Faminto!

Feliz…

Nordestinês

Nordestino não é rico; ele é estribado. Nordestino não é competente; ele é desenrolado. Nordestino não acha uma coisa ruim; ele acha paia/peba/fulêra. E se for péssima, é paia/peba/fulêra demais. Nordestino não faz uma coisa com determinação; ele bota pra descer. Nordestino não vai embora; ele pega o becocapa o gato. Nordestino não é pegador; ele é raparigueiro. Nordestino não é vacilão; ele é tabacudo. Nordestino não é corajoso; ele é arrochado. Nordestino não sente medo; ele bate pino. Nordestino não é convencido; ele é pabuloso. Nordestino não é teimoso; ele é maluvido. Nordestino não tem pressa; ele passa desembestado. Nordestino não é feio; ele é o cão chupando manga. E se for bonito ele é um filezim– essa é das antigas! Ou melhor, antiga não, ela é do tempo do ronconcoim. Para o Nordestino, uma coisa não explode; ela dá um pipôco! Se uma coisa for muito boa, ela é o pipôco do trovão! Nordestina não é puta; ela é quenga. Nordestino não é apressado; ele é afoito. Nordestino não…

Ela era especial

Ela tinha a doçura de uma menina e a sensualidade de uma mulher. Era pequena, mas seu caráter a agigantava. Sua timidez contrastava com o seu corpo que exalava promiscuidade.
Coxas lisas, macias; quadris largos salientados pela cintura fina que detinha o impressionante poder magnético de atrair às minhas mãos. Sua barriga e seu umbigo também não passavam despercebidos. Seios pequenos, porém firmes, que encaixavam-se perfeitamentes nas minhas mãos; na minha boca. Ainda lembro da harmonia de sensações que isso provocava nela: podia-se perceber suas contrações, sua respiração pesada, ofegante; e principalmente a intensa taquicardia do seu coração que um dia fora meu. Assim como a sua boca. E que boca! Lábios doces, macios, bem delineados e perfeitamente assimétricos. Os quais se apartavam ligeiramente para exibir seu lindo sorriso quando seus olhos caramelo brilhavam de felicidade ao avistar-me chegando. Ai, aquele sorriso! Tenho certeza de que até hoje consegue o que quiser com ele. Po…