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Perfil: é uma espécie de construção da história duma personagem com enfoque num indivíduo ou numa inst…

Uma nova tinta no cordel da Paraíba

A literatura de cordel é um estilo tradicional da cultura popular nordestina
Foi lançado na Cidade Rainha da Borborema um cordel de autoria do poeta campinense Roniere LeiteSoares intitulado "Petróleo e Gás e Energias", 16 páginas, capa amarela, 10 x 15 cm, pela Fundação ParqueTecnológico da Paraíba. A escrita do trabalho foi uma demanda da Unidade Acadêmica de Engenharia de Minas (UFCG), através do projeto "Espaço Petróleo e Gás", coordenado pelo Professor JoséAvelino Freire e vice-coordenado pelo Professor Alcides Ramos de Brito.

O autor do cordel se referenciou em textos acadêmicos de vários professores para criar o conteúdo poético na forma de 53 sextilhas (318 versos) em redondilha maior. A estrofe introdutória remete à criação da capa e dispara nas entrelinhas:
Gás de arroto em alto-mar
Vindo de fóssil alevino
Congelou-nos milenar
No porão submarino:
Bolhas do rudimentar
Elo sobre o qual assino!
Este folheto de cordel está sendo distribuído gratuitamente em escolas públicas de Campina Grande, Paraíba, e foi estruturado em torno das seis etapas da produção e comercialização do petróleo e do gás:
  1. Exploração e Explotação de Petróleo e Gás;
  2. Produção e Processamento de Petróleo e Gás;
  3. Armazenamento, Transporte e Distribuição de Petróleo e Gás;
  4. Uso e Aplicação de Petróleo e Gás;
  5. Uso Eficiente de Energia;
  6. 6. Educação Ambiental.
O cordel faz ainda parte do "Espaço Petróleo e Gás", que está sendo edificado no campus I da Universidade Federal de Campina Grande, de frente à Biblioteca Central, no qual será exposta permanentemente uma maquete dinâmica (em processo de construção) e distribuídos os folhetos de cordel.

Esta contribuição literária, segundo Soares, pautada em linguagem popular, favorecerá a melhoria do ensino de ciências, física, química, matemática e biologia nas escolas públicas do ensino médio, assim como na "compreensão sobre o papel das energias renováveis e não renováveis em nosso dia a dia". Ele também afirma que o convite que recebeu é uma oportunidade de colocar a arte cordelística a serviço de qualquer área do conhecimento, o que torna o ofício mais universal na medida em que relata a ciência, descreve a tecnologia, narra a cultura científica e desmitifica o cordel como uma arte antes marginalizada.

Este é o décimo trabalho de Roniere Soares e confirma sua tendência em se debruçar numa produção poética nordestina que enfoca o chamado "Novo Cordel", o qual se coloca à disposição de quaisquer temas ou conteúdos populares e eruditos, "sem preconceitos ou tradições que o prendam às formas, fórmulas e formatos".

O cordel também traz um conteúdo imagético baseado em fontes xilográficas que foram cedidas voluntariamente pelo desenhista paraibano Galdino Otten. Estas fontes foram a base a partir da qual Roniere montou as xilogravuras presentes na capa, contracapa e ilustrações que figuram o interior do cordel. A impressão do folheto foi financiada pelo Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) – Agência Brasileira de Inovação.

Roniere Leite Soares teve acesso ao cordel pela 1ª vez em sua infância, na década de 1980, ao ver na feira dominical do Distrito de Boa Vista, antiga área suburbana de Campina Grande, cordéis vendidos no mercado público. Ao estudar Educação Artística na Escola Cenecista de Boa Vista, sua professora Edneide Marinho Gomes falou das características do cordel e, neste momento, despertou a curiosidade sobre esse tipo de literatura popular, essencialmente nordestina. No final de 1988, aos 15 anos de idade, expôs vários poemas na Escola Teodósio deOliveira Lêdo, numa exposição pública que se encerrou no início de 1989. Seu primeiro soneto foi publicado em 1989, cujo título é "O Último Bovino Submarino", numa Coletânea de Textos dos alunos CAD, organizada pela professora de Português Eude Miranda Rocha, em Campina Grande.

Os títulos autorais do cordelista são:
  • A História de Lampião – 2001;
  • Mistura Quente: uma disputa poética sobre conhecimentos de mundo – 2005;
  • "Apilídios" da Minha Terra – 2006;
  • Boa Vista na Ponta da Língua – 2007;
  • Bichos e Prantas no Cariri Paraibano – 2008;
  • A Rinha Poemática dos Repentistas Noberto Montêro e Ontõi Soares nos Cafundós Celestes de Santa Rosa de Bôa Vista – 2010;
  • A eruditização do cordel (antes do cordel) através da poesia boa-vistense do vate Edvaldo Perico num pretérito de 510 anos atroz – 2011;
  • Versos d´O vaqueiro Antônio Bernardino versus Boi Cambaú do Sítio Sãojoãozinho – 2011;
  • A morte das 13 vacas – 2012;
  • Petróleo e Gás e Energias – 2013;
  • As histórias e as estórias do lutador Ivan Gomes & Versos Diversos – 2013 (no prelo).

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