Coisas que aprendi estudando russo

Quando decidimos aprender algum idioma o nosso aprendizado não se limita apenas a conhecer o vocabulário, gramática e traduzir palavras. Ao nos envolvemos com uma língua estrangeira trazemos junto com ela a cultura e a história do país e isso acaba ampliando os horizontes da aprendizagem.

Com a língua russa não tem sido diferente. Desde que comecei a estudá-la aprendi e descobri coisas novas que me surpreenderam. Por isso decidi listar algumas das minhas descobertas. Entretanto, como ainda não sou fluente e, portanto, não conclui minhas lições pessoais, ainda há a grande probabilidade de eu descobrir outras novidades o que torna esta listagem dinâmica e não definitiva. Ou seja, caso você leia este mesmo artigo em datas diferentes é possível que a quantidade de tópicos tenha aumentado.

 

1. Não é "Shaquitar";


Como mencionei no artigo anterior sempre fui louco por futebol, assim não é de se estranhar que a minha primeira descoberta tenha sido justamente relacionada ao esporte bretão.

Na Ucrânia - um país muito próximo tanto geograficamente quanto culturalmente e historicamente da Rússia - há um clube chamado Shakhtar da cidade de Donetsk. Este time é bem conhecido no Brasil porque muitos brasileiros jogam lá.

Sempre vi e ouvi na TV os jornalistas pronunciarem o nome desse clube como "Shaquitar"; o que até faz sentido se lermos a transliteração do nome para o alfabeto latino. Porém isto não está correto.

Os ucranianos, assim como os russos, usam o alfabeto cirílico como base para o seu idioma e o nome desse clube na versão original sem transliteração é "Шахтар". Quando convertido para o alfabeto latino ele fica assim: Ш=Sh, а=a, х=kh, т=t, а=a, р=r. É aí que acontece a confusão!

Como a letra "х" vira "kh" na conversão, subentendemos que a pronúncia aportuguesada seria como "qui". Só que a letra "х" em russo e ucraniano tem o som de "rr" como na palavra arroz. Assim sendo, a pronúncia correta do nome do clube é "Sharrtar".

2. Eles têm um Facebook próprio;


Historicamente os russos sempre foram (e continuam sendo) muito nacionalistas e reconhecidamente um povo fechado. Pelo lado positivo, isso os leva a valorizar bastante a produção local inclusive no setor tecnológico.

Enquanto a rede social do "Tio Mark" reina soberana na maioria dos países, na Rússia e em outros países soviéticos como a Bielorrússia, o Facebook tem um concorrente à altura chamado "VKontakte" (em russo: ВКонтакте) ou simplesmente "VK" (em russo: ВК). A tradução para o português seria "Em contato".

O VK é muito semelhante ao "Face" tanto nas funcionalidades quanto na aparência.

Outra curiosidade é que assim como o Mark é o cabeça do Facebook e do Whatsapp, o Pavel Durov (Павел Дуров) é o cabeça do VKontakte e do Telegram, o aplicativo que todos recorrem quanto algum juiz bloqueia o "Whats". A diferença é que enquanto o Zuckerberg fundou um e comprou o outro, o Durov é o fundador dos dois serviços.


3. Eles têm um Google próprio;


O Google também não tem vida fácil na Rússia. O "Yandex" é o seu maior pesadelo.

Além de um buscador onde é possível pesquisar links, imagens, vídeos, notícias etc. Ele também tem um navegador web, um tradutor, um serviço de e-mail, de mapas e até de streaming de música.

O Yandex é o site mais visitado no país.

4. Berço cultural fortíssimo;


Esta na verdade não foi uma descoberta, mas sim uma constatação que me fez "cair a ficha".

Ao conhecer mais sobre o país me dei conta de que grandes nomes da literatura como Dostoiévski (em russo: Достое́вский; pronuncia-se "Dastaiévski") e Tolstoi (em russo: Толстой; pronuncia-se "Talstói"), da música clássica como Tchaikovsky (em russo: Чайко́вский; pronuncia-se "Tchikofsky") e o balé Bolshói referência mundial em se tratando de dança são todos da Rússia. Este último é uma academia coreográfica sediada no Teatro Bolshoi (em russo:
Большой театр; traduzindo para português seria "O Grande Teatro" e pronuncia-se Balshói) daí o nome.


5. O planeta Rússia;


Se Plutão já foi planeta, a Rússia também poderia ser um.

A extensão territorial de Plutão é de cerca de 16.700.000 km², enquanto que a da Rússia está atualmente em cerca de 17.098.246 km².

Se a União Soviética não tivesse sido extinta, então este seria maior que a própria Rússia; e se ainda existisse União Soviética e a Rússia não houvesse vendido o Alaska para o Estados Unidos o território seria ainda maior.


6. Se você é uma menina aqui poderia ser um menino lá;


Nomes femininos muito comuns no Brasil como Vânia e Sasha são na verdade originários de apelidos de nomes masculinos russos. Vânia é o diminutivo de Ivan e Sasha é a versão diminutiva de Aleksandr.


7. Tatuagens são códigos de prisioneiros;


Pessoas tatuadas não são fáceis de se ver entre os russos e há um motivo razoável para isso. É que lá as tatuagens têm um significado mais profundo do que mero ornamento estético ou de estilo como no Brasil.

Na Rússia, as tatuagens são geralmente utilizadas pelos prisioneiros como código de identificação ou mensagem subliminar. Por exemplo, uma tatuagem de um tigre significa "ódio à polícia" e se você encontrar alguém ostentando no corpo o desenho de um gato com um laço, cuidado! Pode não ser tão fofo quanto aparenta. Este símbolo significa "prisioneiro experiente", ou seja, a pessoa já passou da fase de "estagiário" no quesito cárcere prisional. 😉


8. Dia dos Homens;


A Rússia é notavelmente um país que valoriza a masculinidade. Tal concepção costuma gerar assuntos polêmicos.

Uma prova do orgulho masculino pregado pelos russos é o dia 23 de fevereiro quando é comemorado o Dia dos Homens. Nesta data, os varões recebem pequenos presentes das mulheres, sejam elas irmãs, mães, amigas, namoradas, esposas etc.

Algo bem diferente do Brasil onde há uma propaganda intensa e um apelo comercial forte para o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, mas em fevereiro o máximo que os homens costumam ganhar de presente são camisinhas para usar no carnaval. 😉

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