Como decidi aprender russo

Desde meados de 2016 tenho me dedicado a aprender a língua russa de forma autodidata.

Tudo começou quando eu percebi que estava cansado do inglês. Desde criança sempre tive contato com a língua inglesa e a minha curiosidade me levou a aprender ela também pelo autodidatismo. Entretanto, por ter aprendido por conta própria acabo cometendo muitos erros gramaticais, mas nunca tive um grande interesse em me aprofundar nela e torná-la impecável. Então percebi que a menos que eu me dedicasse à gramática ou tivesse uma imersão completa no idioma inglês viajando para algum país estrangeiro eu não veria uma melhora relevante na minha fluência. Foi aí que decidi aprender outro idioma.

Mas por que russo?

Bem, no início eu não sabia ao certo qual novo idioma estudar. Eu sabia que não seria espanhol. Por ser um idioma muito parecido com o português nunca tive ânsia em dominá-lo. Então, fui para o francês.

A língua francesa sempre mexeu comigo. Por toda sua fama, seu charme, sua sonoridade, cultura etc. Constantemente repetia comigo que um dia aprenderia ela. E como estava em busca de um novo idioma para aprender, por que não dar uma chance a um velho amor?

Eu até comecei a estudá-lo. Assisti a uma série de vídeos no YouTube, mas o problema é que apesar de todo o romantismo parisiense o amor não durou muito; talvez por não haver paixão. Pelos vídeos e prestando mais atenção às palavras eu percebi que nesta língua havia o mesmo problema da espanhola: ambas são bem semelhantes à portuguesa. Vi que não seria tão difícil assim aprendê-la. Não me senti desafiado e aí perdi a motivação.

Mas por que o russo?

Com o descarte do francês, me vi novamente na odisseia de encontrar um novo idioma para aprender. E para encontrá-lo utilizei a mesma estratégia dos amores antigos.

Desde que me reconheço como gente fui louco por futebol. Na minha infância jogava bola nas ruas, nas praças, na escola, na areia, na quadra, no campo etc. Enfim, em qualquer local que desse pra colocar dois objetos alinhados formando um gol e tivesse uma bola você não teria dificuldades em me encontrar. Quase fui jogador profissional e cheguei a jogar nas categorias de base do Treze Futebol Clube e do ASA de Arapiraca.

E o russo com isso?

Foi então que a partir de uma visita despretensiosa ao site da FIFA me veio o insight: - Sempre fui apaixonado por futebol. O maior evento futebolístico é a Copa do Mundo. A próxima será na Rússia. Então, por que não o russo? Além da desculpa esportiva, ainda poderia ser um bom diferencial profissional pra um jornalista ter conhecimento no idioma do país que sediará a próxima Copa.

E este foi basicamente o porquê do russo.

Quando comecei a estudá-lo dei logo de cara com as suas letras diferentes da nossa. Na Rússia é utilizado o alfabeto russo-cirílico. Uma variante do alfabeto cirílico que é usado também em outras das ex-repúblicas soviéticas.

Na escola aprendi que o nosso idioma tinha 23 letrinhas. Com a posterior inclusão das letras K, W e Y, agora temos oficialmente 26 divididas em vogais e consoantes. No russo há 33 letras sendo vogais, semi-vogais, consoantes e sinais especiais.

Já nas primeiras lições senti a beleza da língua e a dificuldade que teria em aprendê-la. E ao contrário do que ocorreu com a francesa, me senti desafiado e motivado. Quando consegui juntar as letras e as primeiras palavras e frases, me senti como uma criança aprendendo a ler novamente e me apaixonei. Não apenas pelo idioma em si, mas pela cultura, o povo, a história. Aprendi o hino nacional russo e ele, musicalmente falando, é o meu favorito.

Desde então sigo aumentando lento e gradativamente o meu conhecimento na língua. Confesso que me falta um pouco de disciplina e por vezes chega a ser cansativo estudá-la. Mas cada nova palavra aprendida, cada frase traduzida e cada frase ouvida e compreendida chega a ser revigorante e é o que me faz persistir nos altos e baixos da montanha-russa de emoções (com o perdão do trocadilho) que é aprender um novo idioma.

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